Berlim - Primeiras Impressões
Dia 10 de março completam três meses que chegamos em Berlim. Vou contar brevemente o que nos levou a decidir viver na capital da Alemanha.
Meu nome é Clara Bispo, tenho 22 anos e sou casada. Eu e meu esposo somos brasileiros, de Fortaleza-Ce e a ideia de morar no exterior sempre esteve nos nossos planos, mas como algo distante e utópico. Certa feita, conversando com meu meu companheiro, ele me pergunta o que eu acho da ideia de ele distribuir alguns currículos para empresas de fora e eu digo que acho uma ótima ideia, já que esse não é um assunto novo pra gente. Ele é da área de TI. Esquecemos do assunto e tivemos uma grande surpresa quando ele foi chamado pra participar dos processos seletivos de duas companhias, uma na Alemanha e outra na Holanda. Após várias etapas, entrevistas por skype, feedbacks positivos e negativos, recebemos o veredito. A empresa comunicou a aprovação e perguntou se estariamos dispostos a nos realocar para Berlim. Era isso, a decisão estava feita!
Tivemos dois meses para realizar todos os procedimentos. Foram tantas idas a cartórios e consulados que em certo momento chegamos a questionar se tudo aquilo valia a pena. Foi a nossa primeira viagem internacional e não tinhamos a mínima experiencia com questões de visto, apostilamentos, traduções, somente pra citar alguns dos termos que acompanham essa jornada do começo ao fim.
A chegada e o frio
Chegamos na cidade no pico do inverno e o frio foi nossa recepção. Na noite da nossa chegada os termômetros estavam marcando 5°C e eu, na minha condição de nascida e criada no Nordeste, questionei se era possível se adptar a essas temperaturas. O caminho do aeroporto até nosso hotel foi, pra dizer o mínimo, desesperador pra mim. Porém, mais ou menos dez dias depois, aquela temperatura na realidade fez falta. A Europa foi atingida por um fenômeno chamado Besta do Leste, que consiste basicamente numa massa de ar fria que desce da Sibéria e congela tudo que vê pela frente. Só que toda essa minha crise não foi nada além de choque. Com as roupas adequadas, café quentinho, chás e uns bons vinhos (que para a nossa surpresa são muito baratos em Berlim) foi possível curtir o frio e até se divertir muito, seja caminhando na neve ou nos lagos congelados dos parques.
O idioma
Eu não falava nem uma palavra em alemão. Eu tampouco entendia alguma coisa. Mas basta uma rápida pesquisa na internet pra ver várias pessoas dizendo que você consegue viver tranquilamente só com o inglês. Até certo ponto isso é verdade. Você consegue ir ao supermercado, aos bares, escritórios públicos e a possibilidade de esbarrar com alguém que não fala inglês é pequena nesses espaços. Somente com o detalhe de que inglês não é o primeiro idioma dos alemães, apesar de muitos estudarem a língua desde cedo. Então você vai esbarrar com pessoas falando um inglês carregado de sotaque, que pode ser um pouco difícil de entender, mas só até você pegar o ritmo. Lembre-se de que eles também pode ter dificuldade de entender o seu inglês, mas isso não quer dizer que ele não é bom o suficiente, é apenas o sotaque que dificulta. Hoje meu sotaque já está um pouco mais parecido com alemães falando inglês. Comecei meu curso de alemão há uma semana e ainda não sei direito o que pensar sobre isso.
Transporte público
Eu tento pensar nos aspectos de Berlim de forma isolada, evitando comparar com a realidade do Nordeste do Brasil para não cair no conto de que “tudo é melhor no exterior”. Apesar de Berlim ter seus problemas, a mobilidade urbana não é uma delas. U-Bahn, S-Bahn, ônibus, bondes e trens estaduais se integram e cobrem perfeitamente todo o território da cidade. A pontualidade também é assustadora. As pessoas são tão acostumadas a isso que se o metrô atrasar dois minutos todo mundo já fica impaciente andando de um lado pra outro. Recentemente, uns trechos de linha férrea passaram por manutenção e o trajeto entre algumas estações ficou interditado. Mas ninguém se prejudicou pois haviam ônibus exclusivos saindo das estações somente para cobrir o trecho interditado. A cidade é dividida entre as áreas A, B e C e os tickets simples valem apenas parea a área A e B, que é o suficiente a não ser que você queira ir pra algum lugar bem distante do centro urbano. É tudo bem intuitivo, os tickets são comprados em máquinas dentro das estações com a opção de operar a máquina em inglês e podem ser Diário (2,70 €), Semanal (30,00 €) ou Mensal (81,00 €). Também não há limites de quantas viagens pode ser feita com um ticket, desde que ele esteja dentro do prazo de validade. Também há um ticket especial pra turistas chamado Welcome Card que acompanha o ingresso de diversos museus da cidade. Esse eu nunca comprei mas fica aqui um link com mais informações.
Comentários
Postar um comentário